Tempos atrás eu desenvolvi uma paixonite por uma mulher que eu já conhecia há bastante tempo. Sempre gostei dela mas nunca senti muita confiança em tentar um relacionamento. De repente, sei lá porque, eu me vi todo envolvido com a cidadã.
E foi aí que eu me toquei sobre uma certa mágica mercadológica.
Você já notou que o maior influenciador na sua vida é o seu morzão? Pois é. Não é aquele cara do Youtube, do Insta, da TV ou da tua roda de amigos. Quem realmente define teu padrão de consumo é teu morzão.
Essa é uma ótica masculina. Me perdoem as mulheres, mas eu não consigo me colocar em seus saltos. Então vamos lá. Homem falando aqui.
Você já se pegou considerando ir em algum lugar só porque teu morzão curte a ideia? Talvez um restaurante de uma culinária diferente que você sempre achou algo sem noção? Uma viagem pra um lugar que está em 127.o lugar na lista? Ou uma roupa que não faz muito tua cara mas teu morzão acha o máximo? Você já se pegou participando sorridente de uma roda de amigos onde você não conhece ninguém e não compartilha nenhum assunto simplesmente porque teu morzão é toda ligada neles? Você já flexibilizou suas crenças ideológicas ou políticas porque teu morzão pensa um pouco diferente de você? Já aconteceu de você ir ao cinema, coisa que você odeia, porque ela gosta? Ou aceitar acordar cedo porque ela acha um absurdo perder horas valiosas do dia acordando tarde? Já te aconteceu de você navegar por grupos profissionais que nada tem a ver com você, simplesmente porque essa é a galera do teu morzão?
Enfim, você já se perguntou porque você gosta tanto dela se ela é diferente de você em tudo?
O fato é que a gente porque gosta. Não tem explicação. Nada dessas baboseiras de que os opostos se atraem ou os similares se atraem. Você gosta porque a conspiração universal assim o quis. E aí vem o problema: ela é diferente de você. E como você também é diferente dela, tudo o que você curte é estranho para ela também. Mas ela te acompanha … do mesmo jeito que você a acompanha.
Claro que é mais fácil ela mudar teu jeito de vestir do que você mudar o corte de cabelo dela. Assim como é mais fácil você mudar os lugares noturnos em que vocês vão do que ela impor as baladas dela a você. Não tem nada mais dificil no mundo do que uma mulher convencer o homem dela a sair pra dançar. Feminismo a parte, é como a vida funciona.
Mas a questão central não é essa e sim como somos influenciados. A partir do momento em que você se envolve com alguém, não há influenciador maior no mundo do que seu morzão. Todos nós gostamos de agradar a quem gostamos. E quando gostamos muito, estamos dispostos até a abrir mão dos nossos gostos mais arraigados para atender ao desejo do nosso morzão (ok, tem os narcisistas por aí mas são minoria e não invalidam o argumento).
Apesar de todas as teorias comportamentais e de comunicação, todos os marqueteiros, instagrameiros e youtubeiros, apesar de toda a tropa de influencers que acha que é capaz de fazer um veiculo digital mudar sua forma de consumir, o fato é que a guria do teu lado tem um poder infinitamente maior do que toda essa galera junta. Você pode achar o máximo aquele restaurante que o casal gourmet do Insta recomenda porque é o melhor restaurante espanhol da cidade, por um precinho mínimo. Se ela não curtir comida espanhola, meu amigo, um abraço. Só na próxima encarnação.
Tudo isso muda quando seu morzão vai embora e você se enrosca com seu novo morzão, que vem com gostos e interesses sempre muito diferentes.
E toca a viajar para novos lugares, comer novas comidas, curtir novos filmes, abraçar novas causas e adaptar (mais uma vez) teu guarda-roupa.
Marqueiteiros e influenciadores: vocês ganham muito dinheiro de seus patrocinadores para divulgar os produtos deles mas saibam que vocês não influenciam coisa nenhuma. Quem sabe tudo é o morzão de plantão ao lado do consumidor.
Bem sucedido será aquele que conseguir mudar a cabeça do morzão. Tentem influenciar a ela. Se ela comprar sua ideia, beleza.
“Morzão, você não tá legal. Escolhi uma academia pra você malhar. E comprei Whey. Você vai ficar com o corpo lindo. Super gostoso”.
E mais um candidato a marombeiro surgirá nesse planeta, mesmo que teu prazer maior esteja em ler Dostoiévski às 7 horas da manhã.